A Itália possui centenas de casas religiosas administradas por padres e freiras. Elas se assemelham às nossas pousadas e todas, sem exceção, são muito simples. Algumas oferecem café da manhã e muitas vezes os banheiros são compartilhados.
Você pode encontra-las em grandes e pequenas cidades e, se tiver sorte, vai acabar ficando em algum edifício histórico muito charmoso!
A hospedagem em casas religiosas é uma prática muito comum entre os europeus e está ganhando a atenção dos brasileiros pouco a pouco.
O que é e como funciona a hospedagem em casas religiosas
A minha experiência
Eu nunca havia me hospedado em um lugar administrado por freiras e, meu maior medo era ser acordada às 6 da manhã para ir à missa, rsrsrs…Como vocês sabem, acordar cedo não é meu forte!
Mas em setembro, durante meus estudos sobre a vida de São Francisco, senti que seria autêntico e interessante sob o ponto de vista da pesquisa, hospedar-me em um convento de clarissas, as seguidoras de Santa Clara de Assis.
A reserva mostrou-se uma tarefa um pouco mais difícil do que eu imaginava. Acostumada a fazer reservas com o Booking, estranhei a falta de informação nos sites das estruturas sobre a disponibilidade da acomodação, tarifas, fotos etc.
Por e-mail contatei mais de 10 estruturas perguntando sobre a disponibilidade de me receberem. Menos da metade respondeu. Das que me responderam, uma só tinha disponibilidade para os 5 dias que eu ficaria em Assis. Não tive escolha e reservei este mesmo. No escuro…sem uma foto para ver o que me esperava. Me acalmava saber que a localização era perfeita: entre as basílicas de Santa Clara e São Francisco, no centro da cidade.
Depois de preencher um formulário de reserva, precisei fazer um depósito de metade do valor da hospedagem antecipadamente e mandar um comprovante. Depois disso…silêncio…
15 dias depois me respondem que o departamento financeiro estava verificando se o pagamento havia sido realizado corretamente. Mais 15 dias e a confirmação da reserva chegou.
Eu estava animada! Cheguei após às 9 da noite no Monastère Sainte Colette, um convento de freiras clarissas de clausura francesas.
Tudo escuro, quieto e fechado. Depois de apertar a campainha uma dúzia de vezes, um hóspede muito gentil veio me receber. Como ele só falava francês e francês je ne parle pas, trocamos alguns sorrisos, algumas palavras sem sentido, recebi as chaves do quarto e voilà…eu estava no convento! Carregando minha mala cheia de garrafas de vinho escadaria acima!
O quarto estava muito limpo e a decoração, como eu já havia imaginado, era franciscana. Duas camas, um armário, um criado mudo e acabou. Mas o banheiro era só meu… e isso já foi um grande alívio.
No café da manhã do dia seguinte pensei que eu estivesse na França. Nada de falar italiano!!! Uma senhora que ficava às vezes na recepção me explicou algumas coisas sobre horários, estacionamento, etc. Uma freira me sorriu e me desejou boas vindas e pronto! Não vi mais freiras até o final da minha estadia.
Podia entrar e sair o horário que eu bem entendesse, pois eu tinha as chaves da porta principal e, apesar do parco café da manhã, ninguém nunca me acordou às 6 da manha para participar da missa. Era como se eu tivesse alugado um apartamento.
Não tinha TV, não tinha serviço de quarto, nem wi-fi. Mas tudo isso foi devidamente compensado com a tranquilidade do local e a beleza do jardim! Sem falar do preço: 35 euros por noite!
Era possível passear pelos jardins, fazer picnic, pegar livros na biblioteca e se eu quisesse – ouçam bem SE eu quisesse – poderia participar da missa das 6 da manhã. Eu gostei muito da experiência e tenho certeza que vou repetir.
Dica da Ana: se você viaja sozinho, hospedar-se num convento pode ser uma boa opção. Não iria com meus filhos, pois o silêncio deve ser muito respeitado e crianças são barulhentas. Em alguns lugares, é obrigatório entrar até às 22h30.
NA PRÁTICA
Os preços praticados são bem abaixo de uma estrutura turística similar. Alguns conventos aceitam doação livre como pagamento da estadia.
Encontrei alguns sites nos quais é possível pesquisar e fazer reservas:
http://www.istituti-religiosi.org/
http://www.ospitalitareligiosa.it/#
http://www.vacanzereligiose.it/
Eu fiquei no Monastère Sainte Colette
site: http://www.clarissesdassise.com/
email: ospitalita@santacolette.com
Borgo San Pietro, 3 – Assis
View Comments (43)
Que bacana essa experiência. Queria também mas experimentar sem ter nada o que fazer, sem fotografar, sem correr para conhecer algo, sem ter que viver nenhuma experiência extra o que estaria vivenciando ali, sem nada e sem ninguém!
Tony! O bacana é fazer isso mesmo! Mergulhei na vida de São Francisco e foi ótimo!
Baci,
Ana
O problema de viajar com a minha mãe e me hospedar num convento é que não teria isso de "se eu quisesse", eu teria de ir a todas as missas com ela, mesmo às 6h da manhã! Kkkkkkkkkk
Rsrsrsrs... problemão...
Baci,
Ana
Talvez um dia este "problemão", a dificuldade de ir à Missa, faça falta. Ou a vida aqui nesta terra será eterna e isenta de sofrimentos?
Acho o seu blog fantástico, já me ajudou muito nas 3 vezes que fui à Itália.
Parabéns!
E lembre-se de cuidar da outra vida... Foi São Francisco quem disse que é morrendo que se vive para a vida eterna!
Que bom seu comentário, Julio, tem toda a razão! Gosto de colocar ironia nos meus posts e prefiro as missas que acontecem mais tarde ;)
Obrigada!
Ana
Também estou adorando esse blog, viu Ana? Isso mesmo Júlio! São Francisco é o santo mais Espírita que existe!!!
E como ele andou! Há 20 anos sigo os passos dele...o maior blogueiro de viagem que já existiu!! Viajava sem parar!
Ana
Oi Ana! Tive uma experiência de hospedagem em um Mosteiro no interior do Rio Grande do Sul. Tudo muito simples e muito linpo, com arquitetura secular e muito silêncio. Foi bem interessante também e não precisei acordar para a missa, kkk...
Gabi! Quero saber deste lugar no Sul! Que delícia...
Baci,
Ana
Nossa! Minha sogra vai amar essa sua experiência. Vou enviar para ela!!! Eu nunca pensei em vivenciar algo assim, mas deve ser muito diferente e interessante.
Também nunca havia cogitado...Imaginou Italiana num convento? Rsrsrsrs... Mas adorei a experiência!
Baci,
Ana
Gente, que experiência diferente!!!!
Adorei, quero demais passar por isso. Adoro essas experiências diferentes!
Beijos
Dani, só não poderíamos ir juntas, rsrsrs...
Baci,
Ana
Uma experiencia e tanta! Acho que seria ideal por uns dias para poder descansar e absorver em leitura e outras formas de divertimento que vão alem da internet!
Isso mesmo! Esse é o espírito!
Eu já adorei! E quero ficar em um convento quando for a Itália. Achei só uma pena você não ter tido contato com as freiras durante a estadia. Teria sido muito, muito legal bater um papo com uma delas. Obrigada pelo bê-a-ba. Posto ótimo!
Pois é...eu bem que tentei com a única que encontrei...mas ela fez sinal de zíper na boca...ahahahaha...
Baci
Ana
Não está na minha listinha de prioridades, mas acho uma ótima experiência para uma desintoxicação tecnológica que todo mundo precisa! Gostei da dica, mas também ficaria nervosa de reservar no escuro! rs Agora já sabemos que funciona! hahaha Beijos
Acho q nao teria coragem de reservar no escuro, mas a falta de wifi não eh tão problemática assim se eu há fosse psicologicamente preparada rs.
Olá Ana, tive duas experiências bem diferentes das suas e excelentes também! Fui com minha família (marido, filha, mãe e sogra). Em ambas ficamos em conventos super bem localizados, bem próximos aos pontos turísticos e, nos dois, nos sentimos em hotéis/pousadas. Com a diferença que não havia café da manhã, apenas vending machines.
Ficamos em Roma, no Margherita Caiani ( http://www.casaperferiemargherita.it ): mais simples, porém super limpo, suíte, wi-fi no quarto e ao lado do Vaticano - localização privilegiada. Dava pra fazer tudo a pé!
Em Padova ficamos no Casa S. Angela Merici ( http://www.casasantangelamerici.it ): com lavanderia gratuita (o que nos ajudou muito!), aptos excelentes (suítes), wi-fi e super perto da Basílica de Santo Antonio.
Pelo site http://www.monasterystays.com você consegue ver fotos, o que o lugar oferece, localização, preços, fazer reservas, enfim... como se fosse o Booking. Vale a pena dar uma olhada!
Ana Renata, obrigada novamente pelas dicas valiosas!
Baci,
Ana